quarta-feira, 6 de março de 2019

O triste momento da Seleção Brasileira

O desempenho da Seleção Brasileira feminina de futebol foi pífio durante a realização do 'She Believes Cup', torneio amistoso disputado nos EUA. Em três jogos, contra Inglaterra, Japão e as donas da casa, respectivamente, o time comandado pelo técnico Vadão sofreu três derrotas, levando seis gols e marcando apenas dois. Há algo de proveitoso em tudo isso? Talvez. Mas para responder isso, precisaremos dar um passo atrás.

Olhar apenas o resultado do torneio por si só já liga o sinal de alerta para alguns graves problemas que o futebol feminino no País sofre. Mas ainda é preciso aumentar o campo de visão.

A falta de investimento na categoria - e principalmente na base - impede que a formação de novas atletas produza jogadoras de bom nível técnico. Para se ter uma ideia, das 23 convocadas para o She Believes Cup, apenas seis jogam no Brasil. É óbvio que no masculino o número é ainda mais discrepante. Mas eu não quero comparar as coisas, resolvi mostrar esse dado só para evidenciar este ponto.

Em campo, vimos três péssimos jogos. Contra o Japão, na minha visão, talvez tenha sido a melhor atuação, mas ainda assim muito abaixo do que se espera de uma seleção canarinho. Contra os EUA então, um show de horrores. Do pior nível possível. Decisões erradas, fundamentos básicos sendo mal executados, jogadoras improvisadas (sem necessidade), entre outras bizarrices do comandante técnico.

Devemos culpar as jogadoras? Não. Aliás, dos culpados, elas são o menor dos problemas. Temos um grupo com ótimos e promissores nomes como Andressa Alves (Barcelona), Adriana (Corinthians), Thaisa (Milan), Geyse (Benfica), Beatriz (Hyundai Red Angels), além das consagradas Marta (Orlando Pride) e Cristiane (São Paulo).

Atacante Geyse é uma das boas promessas brasileiras (CBF/Divulgação)

De quem é a culpa então? CBF e Vadão. Não há como fugir disso. Não é possível que um técnico da experiência do Vadão tenha sofrido SETE!!! derrotas nos últimos setes jogos com a seleção. E para piorar, na partida dessa terça-feira (5) contra os EUA, ele teve a brilhante de escalar Andressa Alves, uma das principais jogadores da equipe, como lateral-esquerda, tirando ela da posição que ela gosta de atuar (meia-atacante).

E a parcela de culpa da CBF - que já não dá muito valor para os campeonatos locais - está em bancar um treinador desses, ainda mais depois de demitir Emily Lima, atualmente realizando um belo projeto no Santos FC, por exibições menos vergonhosas do que as partidas apresentadas de Vadão.

O Brasil tem cerca de três meses para resolver esse problema até a estreia na Copa do Mundo feminina. Até lá, esperamos que a CBF arrume um(a) novo(a) comandante o quanto antes para que se tenha tempo de formar uma seleção que brigue pelo título do torneio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário